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“Sinto, logo existo”: A importância das sensações e a compreensão do mundo exterior em Rousseau.

Por:   •  4/12/2017  •  1.539 Palavras (7 Páginas)  •  358 Visualizações

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Portanto, conhecer os objetos separadamente por meio dos sentidos no fazem conhecer a verdade, no entanto, a compreensão das relações entre os objetos nos levam à esfera do julgamento, esse sim sujeito a erros uma vez que o sujeito da sensação passa a ser ativo na construção do pensamento.

Conforme se vai desenhando na obra “Emílio ou Da Educação”, sob tudo no trecho da Profissão de Fé do Vigário Saboiano, Rousseau busca analisar a fonte do conhecimento e dos erros em nossos juízos. Resta evidenciado que para o autor a fonte do conhecimento são as sensações, ou seja, é meio pelo qual apreendemos o mundo, no entanto, a garantia desse conhecimento se dará pelas relações entre eles estabelecidas pelo sujeito.

Assim, o espírito é dotado de uma força ativa (“atenção, meditação, reflexão”), a capacidade de estabelecer essas relações entre os objetos, modificando o que o sensitivo fornece ao sujeito e o tornando em conhecimento. Em contrapartida, essa capacidade de julgar do sujeito é, ao mesmo tempo, a fonte do conhecimento é do erro, isso devido ao fato, como elucida o Rousseau, de eu ser “ativo quando julgo, por que a operação que compara é falível, e meu entendimento, que julga as relações, mistura meus erros à verdade das sensações, que só mostram o objeto.”

O julgamento, portanto, estará sujeito a erro para Rousseau, todavia, essa força do espírito para estabelecer as interrelações entre os objetos depende de outro elemento relevante na doutrina rousseauniana, a imaginação.

A imaginação, ao contrário das sensações, não possui a obrigatoriedade da fidelidade com o mundo exterior, ela “pode atuar livremente sobre os objetos e suas relações (...). A imaginação em Rousseau é a um só tempo reprodutiva e criadora.”[5]. Nesse sentido, a imaginação reproduz o mundo exterior trazido pelas sensações e ao mesmo tempo cria, ou seja, modifica a realidade que lhe está posta. Assim, não podemos afirmar quando esses aspectos estarão atuando devido a sua simultaneidade, o que justifica afirmar que, por estar associado à imaginação, o julgamento estará suscetível a erro.

“A interdependência entre entendimento e imaginação faz do primeiro uma faculdade falível, pois para realizar-se a comparação, é preciso o ‘transposição’ que só a imaginação opera¹¹. Ela é a faculdade do movimento que permite transpor os objetos, comparando-os. Eis a razão pela qual as ideias já nascem marcadas pela ambiguidade, podendo ser tanto falsas quanto verdadeiras. Essa particularidade do pensamento de Rousseau, que consiste em colocar na atividade do próprio sujeito a fonte do erro, determina também o lugar e a função da imaginação no interior do seu sistema.”[6]

Vale ressaltar que os julgamentos podem corresponder simplesmente às sensações ou corresponderem às sensações complexas, naquelas que existe comparação entre objetos, ou seja, as ideias simples (Freitas, 2015, p. 178).

Para compreender melhor, é preciso considerar duas espécies de julgamentos: aqueles que correspondem às simples sensações e os que se referem às sensações complexas ou comparadas, isto é, às ideias simples. Enquanto “na sensação o juízo é meramente passivo, ele afirma que se sente o que se sente”, na percepção temos precisamente o inverso: “na percepção ou ideia, o juízo é ativo; ele aproxima, compara, determina relações que o sentido não determina. Eis a única diferença, mas ela é grande” (Rousseau, 1995b, p. 262). Há um desdobramento do julgamento em dois diferentes tipos: o julgamento que está sujeito ao erro é somente aquele que se realiza pelo entendimento; enquanto o que provém das sensações é sempre verdadeiro.

BIBLIOGRAFIA

Rousseau, Jean-Jacques – Emílio ou Da Educação – São Paulo: Martins Fontes, 2014.

Rousseau, Jean-Jacques – Ensaio sobre a origem das línguas

Campos, Edimilson Antunes de – A Tirania de Narciso: alteridade, narcisismo e política – São Paulo: Annablume: Fadesp, 2001.

Freitas, Jacira de – Imaginação em Diderot e em Rousseau – Discurso: Revista do Departamento de Filosofia da USP, nº 45, Editora Barcarolla, 2015.

Freitas, Jacira de – Imaginação e Loucura: Os Diálogos de Rousseau – Cadernos de Ética e Filosofia Política, nº 21, Editora Barcarolla, 2015.

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