A Metodologia do Trabalho Científico
Por: Rodrigo.Claudino • 10/9/2018 • 3.664 Palavras (15 Páginas) • 328 Visualizações
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3. TESE
Wilde foi condenado como flagrante indecência, ano em que a homossexualidade era crime na Inglaterra. Também apresenta a pesada sombra que pairava sobre o artista em seus sucessos anteriores no qual mesmo depois de libertado se viu destituído de sua genialidade e talento criativo, ao perceber que sua potência criadora lhe fora arrancada.
Apesar de acreditar na possibilidade de retomar a sua arte e mesmo sendo defensor do hedonismo e do individualismo, percebeu que precisava do outro para recuperar sua capacidade de escrever.
Após períodos de buscas sem sentido, suas parcerias afetivas que o estimulavam a criar, sua principal condição de continuar com a sua arte – a alegria de viver havia se perdido totalmente, por conta dos traumas da experiência na prisão, a humilhação pública, o desprezo recebido da sociedade que o admirava, a violência da ruptura com a sua vida de antes e da extinção que se dedicava a tornar bela a própria existência, transformando-a em uma obra de arte.
Todos esses fatos o impossibilitaram de atravessar o elo entre o passado e futuro e a transpor a transição entre o ideal e o real na criação de sua subjetividade interna.
4. ARGUMENTOS
Para atravessar o Luto e a Posição depressiva, a capacidade de elaborar as perdas e os traumas, Vieira em seu artigo se utiliza dos postulados de Melanie Klein discorrendo que só é possível se houver a criação de um ambiente psíquico em que predominam as relações de amor e gratidão.
Assim de acordo com Pontalis (2005), Vieira discorre que para atravessar a ponte e criar a sua subjetividade renovada é necessário internalizar o bom objeto, experiências de prazer, satisfação, proteção, conforto e segurança, formando um registro, reserva interna, podendo recorrer continuamente, sempre que passar por experiências de privação, dor e sofrimento.
Na reinstalação dos bons objetos isso ajuda na recuperação da capacidade de amar, interessar-se e investir no mundo depois da longa hibernação do luto aponta (Cintra& Figueiredo, 2004, p.101). Criando uma capacidade de conter e elaborar a realidade psíquica, diferenciando a vida de fantasia da realidade, sabendo que a felicidade plena não é possível.
Afirma Klein (1940/1996) que as pessoas adoecidas de melancolia ou estados maníacos depressivos, têm em comum o fracasso na sua capacidade de fazer lutos, não conseguindo estabelecer dentro de si seus objetos bons internos. Impossibilitando obter um sentimento forte de segurança e um enraizamento de uma capacidade de transformar a dor, a perda no seu mundo interno, não conseguindo superar a posição depressiva.
Vieira também aponta através de Cintra & Figueiredo (2004, p.92) que os ídolos e os ideais precisam morrer e renascer modificados, uma vez que “a transitoriedade de tudo nos obriga a fazer o luto do momento presente para obter acesso ao momento seguinte”.
5. CONCLUSÃO
Supomos então que, devido aos traumas vivenciados por Oscar, o mesmo não foi capaz de elaborar psicologicamente todas as perdas que sofreu. Por conta da intensidade do trauma, viu sua criatividade "acabar", não conseguiu trabalhar de modo que o trauma virasse uma nova forma de subjetividade. Antes apóstolo da beleza e defensor do florescimento individual, não consegue reconstruir seu mundo, interno e externo.
Com isso, desenvolvemos maior capacidade de esperar, além de tolerar melhor a frustração, e aceitando que todos os estados do ser são transitórios.
Os estudos de Melanie Klein apontam para uma ferramenta importante neste processo é a capacidade do sujeito de fazer reparação, depois de elaborar a posição depressiva.
Assim, cria-se uma sensibilidade ética e moral ligada à empatia. Temos que aceitar os limites e reconhecer que o desejo de satisfação plena não é possível. Além de constantemente nos despedir do momento atual para o seguinte, este é veredito da realidade.
REFERÊNCIAS
SEVERINO, Antonio J. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2013.
VIEIRA, Marcus Rodrigues J. and Cintra, Elisa Maria de U. O espelho partido de Oscar Wilde. Rev.Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, vol.18, nº4, p.758-770, dez. 2015.
ANEXOS
Ana Isabel de Oliveira Morais
1. O Tema Abordado
O autor Marcos Rodrigues Jacobina Vieira.
Basea-se na dissertação de Mestrado da PUC – SP.
Elisa Maria de Ulhôa Cintra
Professora e orientadora da dissertação e mestrado.
O texto fala sobre o luto e a melancolia de perdas que Oscar Wilde teve no final de sua vida.
2. Qual problema apresenta?
O texto fala sobre as dificuldades e a incapacidade psíquica que Oscar Wilde tem de superar seus traumas.
3. O que fala sobre o tema (que tese ou ideia o autor defende).
O autor fala sobre as dificuldades de algumas pessoas ao sofrer algum tipo de trauma ou perda.
Usando como exemplo a estória de Oscar Wilde e todo o seu sofrimento, entendemos que um trabalho psíquico de transformações das vivências traumáticas em uma nova forma de subjetividade ficou impossibilitado.
4. Como demonstra sua tese (defende) argumentos.
Em 1935 e 1940 Melanie Klein cita a capacidade de
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