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A Vantagens do Comércio Internacional

Por:   •  25/12/2017  •  4.102 Palavras (17 Páginas)  •  94 Visualizações

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Um país territorialmente extenso, como o Brasil, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes (de acordo com o IBGE), apresenta um mercado interno forte e um elevado PIB, que coloca o país entre os quinze mais ricos do mundo, apesar do baixo PIB per capita (que é a divisão da riqueza total do país pela quantidade de habitantes). Dessa maneira, grande parte das empresas brasileiras não é motivada, naturalmente, à prática da exportação, pelo grande número de consumidores brasileiros (MORINI, 2012).

Por muito tempo, as maiores participações de exportação e importação no país foram dadas pelas grandes empresas multinacionais que são mais propensas aos negócios internacionais por estarem atreladas à matrizes em outros países. Porém, nos últimos anos, esse quadro começou a mudar, empresas de vários portes começaram a buscar a internacionalização, por conta das vantagens advindas da mesma. Vamos discorrer algumas dessas vantagens a seguir (MORINI, 2012).

Possibilidade de fazer benchmarking – benchmarking significa observar as melhores práticas do mercado, as referências em termos de qualidade, design, embalagem, produtividade, preço e outros. No mercado de biocombustíveis, por exemplo, missões empresariais e governamentais de todo o mundo vêm ao país para verificar o que o Brasil tem feito em termos de biodiesel, etanol e veículos flexfuel, por conta da alta dos preços do petróleo. Ou seja, poder se “inspirar” em criações exteriores e trazer como experiência, é uma grande vantagem por ser pioneiro em algo no próprio país (MORINI, 2012).

Aproveitamento de benefícios fiscais – a legislação brasileira desonera a empresa exportadora de alguns tributos e contribuições, objetivando estimular a prática da exportação. Na exportação, há imunidade de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), não incidência de ICMS (Imposto Estadual de Circulação de Mercadorias), isenção das contribuições do PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), e isenção do imposto de exportação (neste caso, para a quase totalidade das mercadorias, à exceção de couro em bruto, bebida alcoólica e cigarro, por exemplo). Além disso, há um mecanismo de acúmulo de créditos fiscais de impostos federais, como o IPI, dos itens adquiridos no mercado interno que passaram por industrialização antes de serem exportados. Essas empresas acumulam créditos do imposto que poderão ser utilizados no abatimento de outros tributos federais. Esses benefícios fiscais constituem-se em claro incentivo à prática da exportação, porque a empresa tem condições de ser desonerada de tributos, o que não ocorre se a venda for feita para o mercado interno (MORINI, 2012).

Melhora da imagem da empresa – é comum verificar que, quando o marketing da empresa objetiva valorizar a imagem do produto, registra na embalagem a expressão “tipo exportação”. Esta expressão denota que, para o consumidor, empresas que exportam e produtos exportados tendem a ser consideradas como de maior qualidade. Isso é muito claro em determinados setores, como o de produção de frutas. As frutas brasileiras com destino à Europa ou Japão passam por padrões de controle de qualidade muito mais rigorosos, observando aspectos fitossanitários mais criteriosos. Quando essa mesma fruta é vendida no mercado interno, o fabricante não tem dúvida em poder vender o melão ou a manga com preços mais elevados, colocando uma etiqueta com a expressão “tipo exportação” ou for export (MORINI, 2012).

Diversificação de mercados e diluição de risco – imagine um feirante que só venda abacaxi para apenas um cliente. O risco que o feirante está passando é eminente, porque na falta desse cliente ou desse produto o negócio se inviabiliza. Ter vários produtos a serem comercializados para uma grande gama de clientes aumenta a possibilidade de sucesso no negócio. Da mesma maneira, podemos pensar em termos de diversificação no mercado internacional. Lembrem-se da crise de energia (apagão) que o Brasil passou no início dos anos 2000. O governo federal fez campanha para economia de energia, incentivando a população a trocar as lâmpadas incandescentes (ou comuns) por fluorescentes (ou lâmpadas frias). Pensem o que deve ter ocorrido com a venda dessas lâmpadas comuns e o faturamento desses fabricantes nacionais. Há casos de empresas que começaram a exportar as lâmpadas comuns para os países latino-americanos e asiáticos, que não passavam por problemas de fornecimento de energia, diversificando os mercados e diluindo o risco de insucesso no negócio com as quedas das vendas no Brasil. Para pensarmos em outro exemplo real, o México, que tem 80% de seus negócios internacionais com os Estados Unidos, vem buscando, desde 1994, a diversificação de mercados, o que se materializou na assinatura de acordos de livre comércio com mais de 40 países, como a União Europeia, Israel e Coreia do Sul, como forma de se tornar menos dependente de um único mercado (MORINI, 2012).

Aumento do faturamento – faturar mais possibilita o autofinanciamento da empresa. Possibilita, também, gerar ganhos de escala. Imaginem um determinado modelo de automóvel, por exemplo, o Fiat Doblò. Se a Fiat fosse vender esse modelo somente no mercado interno, a fábrica poderia trabalhar em um turno, com várias máquinas paradas. Como a Fiat optou por exportar esse modelo para o mercado latino-americano, a fábrica teve ganhos de escala, passando a trabalhar em dois turnos e com alto aproveitamento de ocupação das máquinas, faturando mais (MORINI, 2012).

Aumento da Produtividade - Quando uma empresa começa a exportar, sua produção aumenta numérica e qualitativamente. Isso ocorre devido a redução da capacidade ociosa existente, que é obtida por meio da revisão dos processos produtivos.

Com o aumento da produção, naturalmente, aumenta também a capacidade de negociação para a compra de matéria-prima. Com isso, o custo da fabricação das mercadorias tende a diminuir, tornando-as mais competitivas e aumentando a margem de lucro. (CASTRO, 2010)

Menor impacto da sazonalidade – As empresas que exportam se beneficiam em cima da sazonalidade, por conta das diferenças sazonais entre o hemisfério norte e o hemisfério sul. Por exemplo, uma empresa que venda “moda praia” no Brasil vai ter seu ápice de vendas no verão no mercado interno, porém ela também pode vender com facilidade para os Estados Unidos e para a Europa na época de queda de vendas no mercado interno, por conta do inverno no Brasil. Assim, a demanda se mantém constante durante todo o ano. (CASTRO, 2010)

1.3. A IMPORTAÇÃO

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