A Epistemologia da ciência
Por: Salezio.Francisco • 20/12/2018 • 1.637 Palavras (7 Páginas) • 304 Visualizações
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Então percebemos que a história das ciências, assim como a história das sociedades, conhece e passa por evoluções.
Neste contexto Lakatos traz a ideia do conceito de programas de pesquisa. Na concepção de Lakatos existem grupos de teorias ligadas, umas às outras, por princípios e postulados comuns.
- Então, teoria, themata, programa de pesquisa, paradigma etc. são noções que introduzem na cientificidade os elementos aparentemente impuros mas, repito, necessário ao seu funcionamento.
- Desde o século XIX, o desenvolvimento da ciência está ligado ao desenvolvimento de uma nova camada social, a intelligentsia científica dos sábios e pesquisadores. (p. 41)
Diferentes tipos de conhecimento científico
- Existem tipos diferentes de conhecimento científico; diferentes porque são impulsionados por interesses diferentes. Há o interesse técnico (domínio da natureza), o interesse prático (o controle, especialmente da sociedade) e o interesse reflexivo (quem somos, o que fazemos?).
- O interesse reflexivo motiva a emancipação dos homens, enquanto os outros interesses conduzem à dominação e a sujeição.
- Hanson, diz que “qualquer ato específico de descoberta traz consigo a capacidade de considerar o mundo da realidade sob uma nova luz (...)”. (p. 48)
Peirce e a invenção das hipóteses explicativas
- Indução e dedução como insuficientes. Para compreender o desenvolvimento do pensamento a noção de abdução era indispensável.
- Problemas de estratégia na pesquisa: o inventor é imprevisível e relativamente autônomo com o próprio meio científico. Sempre foi assim. De maneira que, se a invenção fosse programada, não existiria.
- Ex.: Newton descobriu a gravidade pelas circunstâncias da Universidade fechar as portas e ele ter de ficar vagando, olhando as macieiras.
- “Quando pensamos na pesquisa com suas atividades da mente, com o papel da imaginação e o papel da invenção, nos damos conta de que as noções de arte e de ciência, que se opõem na ideologia dominante, têm algo em comum. Chegamos a essa ideia por um meio inesperado, o da inteligência artificial, na qual de alguma forma, graças aos atuais sistemas especializados, centralizou-se a ideia de G.P.S. (General Problem Solver - Solucionador de Problemas em geral)”. p.50-51
Evolução científica
- Popper fez uma teoria “darwiniana” da evolução teórica; Kuhn fez uma oposição a esse evolucionismo com um revolucionismo, operado pelas mudanças de paradigmas, onde o “dominante” tem cada vem mais dificuldade em dar conta dos fenômenos observáveis.
- A evolução é mais complexa.
A ciência
- “... está sempre em movimento, em ebulição e, talvez, o próprio fundamento de sua atividade [...] é ser impulsionada por um poder de transformação. É preciso abandonar a ideia [...] do progresso linear das teorias que se aperfeiçoam mutuamente.” (p. 52)
- É o conflito entre pontos de vista (teorias) que fundamenta e expressa a vitalidade e o desenrolar da ciência, seja de maneira evolutiva, evolucionista, revolucionante ou revolucionária.
- “... A ciência é um lugar onde se desfraldam os antagonismos de ideias, as competições pessoais e, até mesmo, os conflitos e as invejas mais mesquinhas.” (p.52)
- “O conflito é fecundo e podemos dizer que a ciencia está fundamentada na complexidade do conflito: ela tem quatro pernas, independentes entre si: empirismo e racionalismo, imaginação e verificação”. (p.53)
- Assim: motor da ciência é feito de oposições.
- Simultaneamente: unitária e diversificante, estabelece fronteiras e barreiras, funda-se em compartimentos e separações entre disciplinas.
- A respeito dessa dialética e/ou dialógica de uma atividade científica: “As grandes teorias são teorias que fazem a unidade onde só se vê heterogeneidade. De um lado, a ciência divide, compartimenta, separa e, do outro, ela sintetiza novamente, ela faz a unidade”. (p. 53)
Ciência como comunidade/sociedade
- Fenômeno normal a todas as sociedades organizadas;
- Trata-se de uma comunidade epistemólogica unida por princípios fundamentais comuns (objetividade, verificação e falsificação) que aceita as regras do jogo e está inscrita numa mesma tradição histórica com o mesmo ideal de conhecimento.
Ciência e democracia
- A natureza da democracia consiste na aceitação das regras de um jogo onde os conflitos de ideias são produtivos e a ciência se pauta numa verdade não-absoluta, mas sim provisória e sucessiva.
- Na democracia, propriamente científica, a regra é a investigação, onde o “papel positivo” do negativo eclode via refutação de erros. Assim, o falibilismo torna-se a marca da ciência.
- A regra do jogo científico é institucional e mental, simultaneamente. Ela é garantida pelas instituições - beneficiadas com as grandes descobertas igualmente a sociedade moderna – mas antes o próprio sistema detestava a democracia e a ciência por constituir-se meio de debate em sua pluralidade.
Algumas ideias conclusivas
- 1ª: Devemos continuar a considerar a ciência como uma atividade de investigação e de pesquisa.
- “A ciência não é só isso e, constantemente, ela é submergida, inibida, embebida, bloqueada e abafada por efeito de manipulações, de prática, de poder, por interesses sociais etc. Ela continua sendo uma atividade cognitiva.” (p.58)
- 2ª: A ciência não é uma operação de verificação das realidades triviais, ela é a descoberta de um real escondido.
- A ideia de certeza teórica enquanto verdade absoluta deve ser abandonada.
- Para que haja uma aproximação e um diálogo entre a inteligência do homem e a realidade ou a natureza do mundo, são precisos sacrifícios enormes [...] a
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