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Análise de Eventos Extremos de Precipitação no Município de Rio Claro/SP

Por:   •  11/12/2017  •  2.462 Palavras (10 Páginas)  •  79 Visualizações

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Caracterização do município de Rio Claro

A pesquisa se desenvolveu na cidade de Rio Claro - SP, considerada uma cidade de porte médio, localizada na porção centro-leste do estado de São Paulo. Distante 173 km da capital paulista, integra a região administrativa de Campinas, constituindo-se em importante pólo agro-industrial (sucro-alcooleiro) e cerâmico do Estado de São Paulo (Figura 1). O acesso a outras cidades é feito principalmente através das Rodovias Anhanguera (SP 330), Washington Luiz (SP 310) e Bandeirantes (SP 348) (VEDOVATO, 2006).

Rio Claro faz parte de uma micro-região bastante desenvolvida e em constante expansão econômica (PINTAUDI, 2003). Seu parque industrial passou a desenvolver-se na década de 1970, devido ao processo de descentralização industrial que ocorreu na grande São Paulo (RONCHEZEL, 1983). Dentre as principais atividades econômicas, tem-se a agricultura (agro-indústria da cana de açúcar) e atualmente, vem se destacando, as atividades cerâmicas, associada as grandes reservas de argila disponíveis (argilitos da Formação Corumbataí).

Com relação à população municipal, Rio Claro possui uma população de 190.373 habitantes (IBGE, 2006), sendo a maioria residente na área urbana. Segundo o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE), 100% dos moradores da área urbana têm água encanada e tratada; 99,4% do esgoto é coletado, sendo que 30% do esgoto coletado é tratado. A coleta de lixo é realizada em 95,3% dos domicílios e o índice de iluminação pública está em 98% da cidade (PINTAUDI, 2003).

Conforme a compartimentação geomorfológica do Estado de São Paulo, o município de Rio Claro localiza-se na Depressão Periférica Paulista, e pertence à sub-região do Médio Tietê, deprimida entre as escarpas das Cuestas Basálticas e o Planalto Atlântico. O município de Rio Claro está situado, em uma área com sedimentos paleozóicos presentes em um corredor de topografia colinosa no sentido norte-sul do Estado. Situa-se entre o Planalto Atlântico a leste que possui altitudes entre 850 a 1200 metros e o Planalto Ocidental Paulista, a oeste, com altitudes entre 800 a 1000 metros. Quanto ao relevo, o município apresenta topografia pouco acidentada, com colinas tabuliformes levemente convexas de altitudes que variam entre 540 e 660 metros (PASCOALINO e PITTON, 2009).

O Estado de São Paulo, do ponto de vista climático, é caracterizado por ser uma zona de transição entre climas controlados por massas de ar tropicais, Atlântica e Continental, Polar Atlântica (geradores de ondas de frio) e Equatorial Continental oriundas da Amazônia Ocidental. Na altura do trópico de Capricórnio, essas massas de ar de diferentes características entram em choque gerando desta forma a predominância de frentes polares responsáveis pela maior parte das chuvas durante todos os períodos sazonais em todo o estado de São Paulo (RANZANI, 1976).

Dentro do Estado de São Paulo, é na depressão Periférica que o caráter de um clima transicional é mais acentuado. Tal ocorrência é devido ao fato de que a depressão periférica constitui uma área com condições de relevo suave e deprimido o que a torna uma zona favorável ao acesso e choques de três correntes de circulação de diferentes características: ondas de noroeste (vinculadas à ação das massas Equatorial Continental e Tropical Continental); ondas de leste e de nordeste (vinculadas à ação da massa Tropical Atlântica, a qual dá origem a diferentes tipos de tempo, como chuvas no verão e tempo seco no inverno); ondas do sul (vinculadas à ação da massa Polar Atlântica responsável por ondas de frio e mecanismos frontais oriundos de choques com as massas intertropicais) (RANZANI, 1976).

Territorialmente, o município de Rio Claro possui aproximadamente 498 km² (IBGE, 2008), apresentando clima ameno e seco no período de maio a setembro e chuvoso e quente de novembro a abril, com temperatura média anual de 22,3°C, conforme dados registrados pela Estação Meteorológica do CEAPLA/UNESP/Rio Claro. No período chuvoso, as precipitações durante a primavera oscilam entre 500 mm e 600 mm e no verão situam-se entre 600 mm e 700 mm. Já no período seco a pluviosidade durante o outono oscila entre 200 mm e 300 mm, enquanto no inverno os totais apresentam-se inferiores a 200 mm. A média anual de pluviosidade do município é de 1500 mm com médias térmicas variantes entre 21,5°C e 18,5°C (SILVA, 2001). Pelo sistema de classificação Zonal de Köppen, o clima de Rio Claro corresponde ao tipo Cwa, onde a temperatura do mês mais frio é inferior a 18°C e a do mês mais quente ultrapassa os 22°C.

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Figura 1 – Localização município de Rio Claro

Avenida Visconde Rio Claro x Córrego da Servidão: problemática em períodos de chuva

Segundo Antonio Filho (2003, p. 58-59):

“A expansão de Rio Claro, nos últimos vinte anos, também se dirigiu para além da Via Washington Luís, a sudoeste, oeste e noroeste da cidade. O canal do rio Corumbataí foi ultrapassado pelo tecido urbano, com a projeção de ruas não muito distantes das margens daquele rio, o que aumentou as possibilidades de degradação dos trechos envolvidos pela urbanização. [...] Os cursos de água, como o córrego da Servidão (hoje canalizado sob a Avenida Visconde do Rio Claro) e o Córrego Lavapés (canalizado sob a Avenida Ulisses Guimarães) são canais receptores de esgoto urbano. O avanço da cidade sobre eles se deu em tempo recente, pois encontramos inúmeros rio-clarenses que se recordam, de modo idílico, desses cursos de água e do lazer que proporcionavam à população”.

Grilo (1992), a partir das notícias veiculadas nos jornais “Cidade” e “Diário do Rio Claro”, detectou, para o período de 1980/1989 e 1991, 52 episódios em que ocorreram impactos na cidade provocados por chuvas intensas, muitas vezes acompanhadas por ventos fortes ou granizo, 51,9% destes eventos ocorreram no primeiro trimestre do ano. Esta autora também constatou que Rio Claro possui uma rede deficiente de galerias pluviais, que se alonga apenas por alguns trechos do sistema viário e se apresenta, quase sempre, entulhada, facilitando a ocorrência de inundações.

(imagens da Avenida Visconde do Rio Claro)

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Figura 2 - Avenida Visconde do Rio Claro

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Figura 3 - Avenida Visconde

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