Narrativas de Vida - Daniel Bertaux
Por: Carolina234 • 17/10/2018 • 1.888 Palavras (8 Páginas) • 413 Visualizações
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- Narrativa de vida são eficazes neste objeto social (categorias de situação) pois permite identificar por meio de que mecanismos e processos os sujeitos chegaram a uma dada situação, como se esforçaram para administrar essa situação e até mesmo superá-la.
- Trajetórias sociais
- São um terceiro tipo de objeto social que pode ser estudado por meio das narrativas de vida;
- Para conseguir generalizar no estudo da formação de trajetórias biográficas é necessário reduzir o campo de observação a um tipo particular de percurso ou contexto. Exemplo: trajetórias profissionais (como se tornou um professor?). Isso dá a coerência de que os objetos provêm de um mesmo mundo social ou categoria de situação;
- A perspectiva etnossociológica se aplica apenas a objetos sociais relativamente bem circunscritos, que o emprego das narrativas de vida permite apreender do interior e em suas dimensões temporais.
- Técnicas da Pesquisa Etnossociológica
- As técnicas visam compreender o funcionamento interno do objeto de estudo e elaborar um modelo desse funcionamento sob a forma de um conjunto de hipóteses plausíveis;
- O pesquisador vai a campo consciente de sua ignorância e se dirige às pessoas (membros do mundo social ou situação estudada) que aí vivem e exercem suas atividades para saber “como funciona”. Esses sujeitos assumem o papel de “informantes”;
- A ênfase não é colocada sobre a interioridade (“psicologia”) dos sujeitos, mas aos contextos sociais (exterioridade), dos quais eles adquiriram, pela experiência, um conhecimento prático; Aqui, narrativas de vida constituem instrumento importante de extração dos saberes práticos (narrativas de práticas);
- Narrativas de vida é a forma de dados que melhor corresponde a um pensamento sociológico baseado na ação em situação: a narrativa de vida, como testemunho da experiência vivida traz, dentre outras, a dimensão temporal, diacrônica, que é também a da articulação concreta, na ação, de “fatores” e de mecanismos muito diversos;
- Status e funções dos dados empíricos
- Na pesquisa etnossociológica os dados permitem ver como funciona um mundo social ou uma situação social. Essa função descritiva leva à descrição densa (Clifford Geetz): descrição em profundidade do objeto social, que considera suas configurações internas de relações sociais, suas relações de poder, suas tensões, seus processos de reprodução permanente, suas dinâmicas de transformação;
- O objetivo da pesquisa etnossociológica é elaborar um corpo de hipóteses plausíveis, um modelo baseado em observações, rico em descrições de “mecanismos sociais” e em proposições de interpretação dos fenômenos observados;
- Narrativas de vida permite aos sujeitos nuançar, detalhar, precisar e comentar as descrições de situações, acontecimentos e ações que caracterizam seu percurso biográfico. Permite que dêem ênfase a este percurso, determinando os acontecimentos principais que têm sobre ele fortes repercussões;
- O espírito da utilização das narrativas de vida na perspectiva etnossociológica é partir do particular para o geral, graças ao estabelecimento de relações entre casos particulares (do que eles contêm de dados factuais recolocados em ordem diacrônica; de indícios descritivos ou explicativos propostos pelos sujeitos). As narrativas de vida na perspectiva etnossociológica consegue levar o particular ao geral graças à descoberta de recorrências de um percurso de vida para outro e à construção de conceitos e hipóteses sobre essa recorrência.
- Questões de amostragem:
Para descobrir o que pode existir de geral em cada caso particular é preciso dispor de uma série de casos, na qual seja possível realizar comparações (encontro de semelhanças e diferenças);
4.1 Variedade das posições
- O mundo social que se tenta compreender é produto de atividades reguladas e interações de uma certo número de categorias de agentes/atores situados uns em relação aos outros em posições hierárquicas e funcionais diferentes (caracterizadas por status, papéis, interesses...);
- Fenômeno de múltiplas percepções de uma mesma realidade (cada agente de uma posição é portador de experiências diferentes e de visões diferentes de uma mesma realidade social);
- É em função desse fenômeno de variedade de posições e de pontos de vista que se é levado a construir progressivamente uma amostra, contemplando diferentes categorias de agentes e subcategorias (ex: operários sindicalizados ou não sindicalizados, militantes ou passivos);
- É pela comparação crítica operada pelo pesquisador que passa o trabalho de construção de um modelo do objeto de estudo (já que nenhuma categoria de atores detem, sozinha, todo o conhecimento objetivo e que cada uma contém sua parte da verdade).
4.2 Diferencialidade
- Pessoas que se encontram no mesmo status institucional, na mesma posição, podem exercer sua atividade de maneira diferente porque não têm a mesma estrutura de personalidade ou não possuem o mesmo habitus (conjunto de esquemas de percepção, de apreciação e de ação);
- Diferenças podem estar ligadas a percursos de vida, influenciando na maneira da execução de seu trabalho; (ver exemplo página 36 segundo par)
- Diferencialidade resultante de capitais de experiência biográfica específicos não diz respeito apenas à diferenciação das condutas em igual posição: ela reage sobre a distribuição das pessoas nos postos de trabalho;
- O emprego das narrativas de vida é justificado no sentido de discernir o que, em função de percursos biográficos específicos e das totalizações subjetivas específicas desses percursos, tornou os indivíduos portadores de esquemas de condutas diferentes.
4.3 A exigência de variação
- Na perspectiva etnossociológica o que importa é cobrir a maior variedade de testemunhos possíveis;
- Ainda que o pesquisador, graças à observação de recorrências, tenha chegado a uma primeira “formulação do modelo”, é necessário procurar casos muito diferentes daqueles com os quais trabalhou, e se assegurar que eles não o questionam; (Ex: viciados
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