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AS CARTOGRAFIAS DA DOR

Por:   •  16/12/2020  •  Pesquisas Acadêmicas  •  533 Palavras (3 Páginas)  •  23 Visualizações

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CITAÇÕES

O que importa, realmente, ao se ajudar o homem é “ajuda-lo a ajudar-se”. É promovê-lo. É fazê-lo agente de sua própria recuperação. É, repitamos, pô-lo num postura conscientemente crítica diante de seus problemas e dos problemas de sua comunidade. Freire, 1959, p. 14

Um dos aspectos mais importantes do nosso agir educativo, na fase atual de nossa história, será, sem dúvida, o de trabalhar no sentido de formar, no homem brasileiro, um especial senso, que chamamos de senso de perspectiva histórica. Freire, 1959, p. 18

        Em Educação e Atualidade Brasileira (1959), o educador Paulo Freire lança muitas das bases que serviriam para o florescimento de sua obra, desenvolvendo reflexões que ainda possuem relativa atualidade. Embora reconheça a relevância da obra e do pensamento do autor, desde o paradigma exúnico ou exuniano, buscarei fazer uma crítica á algumas concepções presente não só na obra inaugural do autor, como também em Pedagogia do Oprimido (1968) um de seus livros mais lidos.  

        Por meio do paradigma exúnico ou exuniano podemos indagar e problematizar a obra de Freire sem desconsiderar suas importantes contribuições. Pois Exu é aquele que jogando uma pedra ontem, matou um pássaro hoje. Exu é a singularidade de todas as coisas; o movimento e a ação; é o todo e o único. Senhor das encruzilhadas e dos caminhos. Nesse sentido, ao tomar Exu como paradigma e lentes pelas quais olho, observo, cheiro, alcanço e sinto a obra de Freire, busco embaralhar, redimensionar e redistribuir desde uma concepção e sensação de mundo afro-brasileiro.

        Ora, sendo Freire um produto de seu próprio tempo, suas contribuições para o pensamento educacional brasileiro foram e são de profunda significância, todavia alguns pontos merecem ser problematizados, entre os quais destaco: a concepção de tempo progressivo; a educação libertadora; a ação de emancipação mediada por um ente externo, que seria consciente da opressão; a primazia da classe sobre os marcadores de raça e gênero; concepções eurocêntricas e universalistas.

        A concepção de tempo e de História regida pelo desenvolvimento progressivo. Segundo essa ideia, o processo educativo culminaria na superação da alienação. Tal perspectiva nos induz a falsa ideia que o futuro é sempre melhor que o passado, nesse sentido as proposições de Freire (1959) ao que parece estão assentadas no paradigma civilizatório inaugurado e universalizado pela modernidade e aprofundados no século XIX, tendo em vista que a relevância que o mesmo dar a educação e seu caráter civilizador, uma vez que a mesma seria a única via pela qual a democracia como regime político, social e cultura de libertação seria efetivamente consolidada. Todavia, o marco democrático a que o autor se refere parece desconsiderar que as desigualdades de nossa sociedade são estruturadas a partir da classificação racial, deixando evidente a capilaridade da falaciosa democracia racial, difundida pela obra Casa Grande e Senzala do sociólogo Gilberto Freyre, que desde a década de 1930 circulava entre as elites brasileiras com grande aceitação. Compreender o racismo como estruturador da sociedade brasileira por si já faria da noção de classe insuficiente para compreensão da nossa realidade.  

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