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RESENHA LIVRO VIDAS EM JOGO

Por:   •  23/1/2018  •  1.602 Palavras (7 Páginas)  •  110 Visualizações

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Robert Merton caracteriza o desequilibro entre as metas de sucesso impostas pela sociedade e as escassas condições para alcança-las, desestimulantes, dessa forma muitas pessoas buscam de forma ilícita atingir seus objetivos. Aqui, está mais uma teoria voltada para o universo masculino, uma vez que o que se esperava da mulher era apenas um bom casamento.

O interacionismo simbólico acredita na construção e reconstrução da realidade social e de seus objetos a partir da interação dos diversos atores envolvidos. A interação social seria uma ordem instável e temporária, que estaria em processo constante de construção pelos atores, de forma que estes poderiam interpretar o mundo em que estão inseridos e no qual interagem. Ampliam a categoria de crime para “desvio”, mas não basta que o individuo realize determinada ações para que ele seja um desviante, trata-se também da reação que as pessoas tem diante daquele ato. Utilizam-se do termo “carreira” para se dirigirem ao desenvolvimento de uma pessoa em uma área considerada desviante.

A Teoria do Conflito deu origem a diversas perspectivas diferentes entre si, entretanto todas foram influenciadas pela teoria marxiana, buscavam enfatizar os crimes praticados pelos whites collors e estudar o crime sob uma perspectiva classicista. O ponto de partida é o conceito de crime, que é aquilo que é tipificado, entretanto, uma parte não é reprimida pela justiça social. A Criminologia Radical propõe um conceito proletário de crime. De acordo com este conceito, crime é tudo aquilo que fere uma concepção radical de Direitos Humanos. Utilizando-se do conceito legal de crime, e de estatísticas que não são um retrato fiel da realidade, as abordagens consideradas tradicionais, contribuem para criminalização da pobreza. Dessa forma, as mulheres ricas gozam dos privilégios de sua classe, enquanto as mulheres pertencentes ás camadas populares dividem com seus companheiros o ônus da exploração.

Travis Hirchi e Michael Gottfredson apresentam teoria baseada na ideia de que a delinquência juvenil era fruto de uma ausência de autocontrole vivenciada pelos jovens, causada principalmente pela desestruturação familiar. Os autores, entendem a família como principal instituição socializadora. Apresenta-se de uma forma bastante conservadora, resgatando o papel da mulher somente enquanto mãe e esposa, supervisora dos filhos e submissa do homem. Tal teoria vai contra qualquer perspectiva comprometida com a emancipação da mulher e crítica ao patriarcal.

Garland argumenta que a modernidade tardia tem desenvolvido uma série de riscos, inseguranças e problemas. O autor demonstra que o avança das polítcas neoliberais, afetaram também o sistema penal. Houve um decline do ideal de reabilitação; surgimento das sanções punitivas; o sentimento em que se baseia o discurso penal é o medo; para estar do lado da vítima é necessário estar contra os direitos dos delinquentes; aumenta-se políticas de encarceramento pois o povo deve ser protegido; privatização do sistema penal. As mulheres, embora sejam minoria nas cadeias nesses e em outros países, também são alvo dessas mudanças nas políticas criminais.

Misse, sugere para o Brasil, a categoria sujeição criminal. Em tal categoria, são selecionados preventivamente os supostos sujeitos que irão compor um tipo social cujo caráter é socialmente propenso a cometer um crime. O bandido está relacionado à pobreza. Se alguém das classes dominantes tiver seus crimes descobertos, normalmente ele será visto como alguém que errou, mas que é possível de correção e não como um bandido. Diante de gráficos sobre vítimas de homicídios pela polícia no Brasil, o autor realiza uma reflexão: se mata com tanta intensidade, sem nenhuma consequência, porque são pessoas que vivenciam a sujeição criminal e, portanto, são vistas como inimigos que necessitam ser extirpados da sociedade.

Em seu estudo, pode-se tirar uma relação sobre a mulher que pratica o tráfico de drogas. Na sociedade patriarcal imposta, espera-se da mulher um bom desempenho enquanto mãe e esposa. Dessa forma, a mulher que se envolve com homens criminosos, ou exerce atividades ilegais, é desacreditada da sociedade. Tais mulheres são vistas e tratadas como pessoas sem nenhum tipo de caráter, por serem capaz de deixarem os filhos à própria sorte. Outro elemento contundente é a naturalidade com a qual se considera a violência sofrida cotidianamente. Além de estarem passíveis de sofrer, assim como os homens, a violência por parte das instituições, elas também podem conviver com a violência doméstica.

CONCLUSÃO

Com a leitura do primeiro capítulo, pode-se concluir que embora existam várias teorias acerca do crime nenhuma delas visa unicamente a ação da mulher no ilícito. Para fazer um estudo sobre mulheres envolvidas com o tráfico de droga – assunto principal do livro - é necessário fazer uma reflexão baseada nas teorias que visam as ações dos homens e assim tirar conclusões acerca das mulheres.

A grande maioria das teorias coloca a mulher como supervisora do lar, responsável pela educação dos filhos, então, recai sobre elas a responsabilidade sobre o processo de crescente criminalidade. Mas não como atuante dos ilícitos e sim, como aquela que não supervisou aqueles que deveria, e esses que cometem

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