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Comunidades Quilombolas do Baixo Sul da Bahia: Elementos para um Estudo Antropológico e Turístico

Por:   •  17/3/2018  •  5.116 Palavras (21 Páginas)  •  265 Visualizações

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A Costa do Dendê é uma porção privilegiada do litoral da Bahia, área denominada de Baixo Sul, que abrange os municípios de Valença, Tancredo neves, Cairu, Taperoá, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Ibirapitanga, Ituberá, Igrapiúna, Camamu e Maraú, muitos dos quais têm na agricultura sua força econômica. É uma região muito rica que possui uma diversidade incrível na área ambiental, cultural e social.

Situada entre as encostas íngremes e os grandes manguezais do canal de Serinhaém, cortada ao meio pelo rio Santarém, Ituberá é uma cidade importante para a região do baixo sul do da Bahia. Num dos trechos dos rio dos Cágados, na área urbana, fica a cachoeira de Castro Alves. O município de Ituberá, que inicialmente se denominava Santarém, surgiu do desenvolvimento de uma pequena vila indígena em 1758. No ano de 1909 foi elevada a cidade, passando a chamar-se de Serinhaém em 1943. E finalmente em 1944 passou-se a chamar de Ituberá que em Tupi significa cachoeira reluzente. A igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, datada da primeira metade do século XIX, é um belo monumento ao qual se tem acesso por uma longa escadaria. Construída em meados do século XVIII, a igreja de Santo André também se destaca na paisagem urbana e foi erguida em homenagem ao padroeiro da cidade. As ruínas de engenho e a forte presença da cultura negra afrodescendente evidenciam a importância da cana de açúcar em tempos coloniais. Não por acaso, portanto há no município comunidades remanescentes de quilombos.

A cidade de Nilo Peçanha teve origem em 1565 de uma vila chamada de Santo Antônio de Boipeba que não sobreviveu aos ataques dos indígenas. Em 1618 foi criada a freguesia de Divino Espírito Santo de Boipeba. Em 1930 passou a se chamar de Nilo Peçanha. A principal festa religiosa local é em torno da matriz do Senhor do Bonfim (séc.XIX), durante o terceiro domingo de janeiro. O município tem dois povoados com comunidades remanescentes de antigos quilombos: Boitaraca e Jatimane, esse último passagem obrigatória para quem vai à praia de Pratigi. Existe na região um tradicional grupo folclórico, Zambiapunga, que se apresenta ao longo do ano, acompanhado pelo som de enxadas vibradas por percussão, de tambores, e de búzios soprados. Essa manifestação folclórica também tem sua origem na cultura africana: era a forma como os ancestrais negros pediam a proteção divina para as suas colheitas.

III. Perspectiva turística: interpretação do patrimônio e ecoturismo

O primeiro contato com os municípios, de Ituberá e Nilo Peçanha me despertou a importância da Interpretação do Patrimônio em vários aspectos. Um deles é a preservação quanto á potencialização da atividade turística nessa região, com base no patrimônio natural, cultural e histórico. Entendendo que estes tipos de patrimônio são de extrema importância na dinâmica do turismo e como tal, devem ser pensados como potencialidades do destino e não como fonte inesgotável de recursos. Na verdade o que a Interpretação do Patrimônio visa não é uma estratégia para o aumento do número de turistas que visitam as comunidades do Baixo Sul, e sim proporcionar um turismo de qualidade, sem causar grandes impactos negativos no meio ambiente, valorizando a cultura e os costumes locais. Além disso, proporcionar uma maior geração de renda e emprego para as comunidades que estão diretamente ligadas a este desenvolvimento o que movimenta e aquece a economia local. Entende-se o quanto é importante alcançar a sustentabilidade quando se pretende consolidar um local como destino turístico. A gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional, que visa o desenvolvimento integrado e sustentável da região do Baixo Sul da Bahia.

A valorização do patrimônio como ferramenta para o turismo é um dos caminhos a serem seguidos neste século à descoberta ou redescoberta de novos lugares, produções locais e novas culturas são evidentes e benéficas, pois possibilita a preservação da identidade local, reforça a memória coletiva, promove o orgulho nos residentes e sugere comportamentos favoráveis dos visitantes ao meio ambiente, além de entreter e educar. No entanto isso só é possível através da utilização correta do patrimônio material e imaterial, onde questões como eficiência no planejamento, gerenciamento de visitantes, planejamento interpretativo, inserção da comunidade e desenvolvimento sustentável, sejam levados em considerarão.

Atualmente as pessoas querem mais do que apenas ver, elas querem fazer parte do contexto, sentir, experimentar e aprender algo que possa além de entretê-las, educá-las. A eficiência na dinâmica da visitação é uma saída para apresentar de forma sustentável os locais, pois são analisados os aspectos estruturais e funcionais das comunidades. O processo de visitação deve ser visto como uma alternativa para gerar consciência ambiental e patrimonial tanto nas comunidades quanto nos visitantes, ampliando a auto-estima da população e o seu grau de pertencimento ao local. Uma das vertentes do turismo que preza esses valores é o ecoturismo por ser uma atividade sustentável e por se preocupar com a preservação do patrimônio natural e cultural, diferenciando-se do turismo predatório. É uma tendência mundial em crescimento já que se preocuocupa com a sustentabilidade dos ecossistemas. Esta vertente inclui também o turismo étnico e cultural.

Os municípios visitados possuem atrativos para se tornarem pólos turísticos, mas a existência de serviços e infra-estrutura (hotéis, pousadas, estradas, telefone, etc.) é uma pré-condição para a sua implementação e pôde ser observada durante a visita. Deve-se ter claro quais áreas poderão ser visitadas, qual o perfil do turista que se quer atingir, o objetivo das viagens que serão oferecidas, a infra-estrutura do entorno e a capacitação do pessoal. Outro fator a ser levado em consideração é o planejamento da divulgação, que deve ser responsável, apropriada às condições que o local comporta, para não gerar impactos ambientais ou efeitos negativos no próprio turismo do município (que por não conseguir atender a contento todos que o procuram, pode ficar desacreditado).

Além da preocupação com a preservação do ambiente natural, os municípios que adotarem o ecoturismo podem fazer a integração do espaço de ações como coleta seletiva de lixo, saneamento ambiental, preocupação com os mananciais, programas de arborização utilizando

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