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MULHERES NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - AS CONTRIBUIÇÕES DE EVA BRAUN, COCO CHANEL E MARLENE DIETRICH

Por:   •  4/10/2017  •  1.989 Palavras (8 Páginas)  •  97 Visualizações

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Logo Chanel se tornou a queridinha dos tenentes, mas um em especial foi o primeiro que a amou, Étienne Balsan. Balsan levou Chanel para morar em seu castelo, e foi graças a ele que a jovem Chanel entrou na alta sociedade francesa, mesmo sendo malvista por alguns devido ao seu passado humilde e por morar com Balsan ainda que não fossem casados.

Foi em meio à alta sociedade que Chanel conheceu o inglês Arthur Capel, o Boy, que financiou suas primeiras lojas. Através desses fatos pode-se perceber o quanto Chanel sabia se “aproveitar” das oportunidades que surgiam, mesmo que essas oportunidades representassem uma afronta à sociedade e suas tradições.

No período da Segunda Guerra Mundial, diversas maisons abriam, enquanto outras fecharam suas portas. Chanel fechou seu ateliê da rua Cambom, mas sua butique de perfumes e acessórios permaneceu aberta. Antes da guerra, o capital da marca Chanel foi dividido entre Chanel, 10%; irmãos Wertheimer, 70%; e o grupo Bader-Galerias Lafayette, 20%. Sobrevivendo com a venda de seu perfume Chanel nº5, ela passa a viajar muito, e se entrega a sua relação com o oficial alemão Hans Günther Von Dincklage, conhecido como Spatz (pardal, em alemão) em referencia ao pássaro que está em todos os lugares. (CHARLES-ROUX, 2007). Com o decreto de leis anti-semitas, chanel tenta recuperar a parte pertencente a Pierre e Paul Wertheimer, que a ajudaram no inicio de sua carreira, e tiveram grande contribuição para o sucesso do perfume Chanel nº5:

Decretadas as leis que eliminavam os judeus de toda a vida econômica nacional, ela tenta recuperar a sociedade de perfumes que cedera aos irmãos Wertheimer. Em abril de 1940, eles trocaram a França pelos Estados Unidos e deram plenos poderes a seu diretor Petit-Barral para representá-los. Um contrato de venda em beneficio de Félix Amiot foi firmado. “Todavia parece que por ocasião da passagem do capital da Maison para as mãos não-judias, Mademoiselle Chanel tentou retomar o controle da firma, que leva seu nome com o apoio dos alemães. É o que parece demonstrar uma nota das finanças que menciona a qualidade das relações entre o ocupante e Chanel.” A tentativa de chanel para recuperar a empresa fracassa em razão da presença de Félix Amiot, majoritário no capital. (VEILLON, 2004, p. 168/169)

Foi no Hotel Ritz, quartel-general dos nazistas em Paris, que Chanel ficou hospedada durante a ocupação, e Hans Gunther von Dincklage era sua companhia. Coco circulava nas mais altas rodas militares alemãs e desempenhou um papel decisivo num dos episódios da Segunda Guerra, a chamada Operação Modelhut (chapéu da moda, em alemão), referência ao fato de Chanel ser uma estilista e confeccionar para mulheres chapéus masculinos. O objetivo dessa operação era promover uma aproximação entre o alto-comando alemão e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o objetivo de se aliar aos ingleses para causas nazistas.

Chanel foi escolhida para a missão por que mantinha contato com um ex-amante, o inglês Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, que era próximo de Churchill, e, com Walter Schellenberg, chefe do serviço de espionagem e inteligência nazista e assistente direto de Heinrich Himmler, uma das figuras de maior relevância na execução do Holocausto. Serviços como este trouxeram prosperidade para Chanel durante a guerra.

Em 25 de agosto de 1944, chega ao fim os combates de rua e começam os acertos de contas. A França fica dividida entre delatores e denunciados, e nesse mesmo ano, Chanel é detida. (CHARLES-ROUX, 2007).

Muitos anos mais tarde, a cólera a sufocava quando ela evocava o dia em que dois homens se apresentaram no Ritz e ordenaram, sem o menos respeito, que os acompanha-se imediatamente. A ordem de prendê-la partira da comissão de depuração. Felizmente, algumas horas mais tarde Chanel era liberada e estava de volta ao Ritz. É preciso constatar que, comparado ao que foi infligido a mulheres colaboracionistas, ou comparado ao que tiveram que suportar aquelas que tiveram qualquer relação amorosa com os alemães, Gabrielle conheceu apenas um breve inferno. Ela não foi levada a passear nuas pelas ruas; não teve a cabeça raspada nem a testa marcada por uma suástica. (CHARLES-ROUX, 2007, p. 347).

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Uma mulher sendo levada nua pelas ruas de Paris. (CHARLES-ROUX, 2007, p. 347).

Segundo CHARLES-ROUX (2007), Chanel tinha uma alta proteção, que garantia a ela uma liberdade que outras mulheres, tendo feito muito menos, haviam perdido.

Marlene Dietrich: a Traidora

Marie Magdelene Dietrich Von Losch cursou a escola de artes cênicas e começou sua carreira no cinema mudo. Tinha um grande carisma e se apresentava sempre com muito glamour. Era dotada de muita coragem, foi a primeira mulher a usar calças publicamente, era dona de uma personalidade forte e não se deixava influenciar pela opinião alheia. (MOUTINHO, 2000).

Embora fosse famosa na Alemanha antes de sua partida para os EUA, em 1937, onde se tornou oficialmente cidadã estadunidense, teve sua fama aumentada por desafiar os ideais nazistas.

Marlene foi convidada por Hitler para protagonizar filmes pró-nazistas, mas recusou o convite, isto somado com o fato de ter se naturalizado norte-americana, levou Hitler a chamá-la de traidora, pois ele entendeu esses acontecimentos como um desrespeito a sua pátria.

A vida poderia ter sido muito fácil para Marlene se ela tivesse seguido as ordens e se tornado a estrela que Hitler desejava. A sua forte oposição contra os poderes nazistas foi recompensados em 1947, quando recebeu dos EUA uma "Medalha da Liberdade” por ter entretido as tropas durante a Segunda Guerra Mundial e também por sua postura firme contra o nazismo.[pic 3]

Marlene Dietrich falando com soldados americanos (Pires, 2010)

Marlene Dietrich tinha uma beleza própria e um estilo arrojado, em 1961 protagonizou o filme Julgamento de Nuremberg que quebrou barreiras e chocou o mundo por se tratar do holocausto, do nazismo e do tumultuado julgamento que condenou os grandes líderes nazistas, assuntos ainda muito recentes e que assustavam bastante.

Em 1962, voltou à Alemanha, mas não agradou a todos, chegando a ser chamada de traidora em pleno aeroporto por nazistas remanescentes. Marlene era o oposto da mulher ideal de Hitler, porque tinha personalidade própria. Suas decisões eram tomadas com base em suas próprias opiniões e ideais, e não de outras pessoas (SMITH, 2003).

Coco Chanel, Marlene Dietrich e Eva Braun foram

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