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Globalização e Metalinguagem do Street style dos jovens japoneses

Por:   •  10/10/2017  •  3.126 Palavras (13 Páginas)  •  33 Visualizações

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Rapidamente, Harajuku, tornou-se uma rua popular e de atração turística, devido ao grande número de artistas de rua e de jovens com roupas extravagantes, divididos por tribos, que se reuniam, aos Domingos, quando a rua principal se encontrava fechada ao trânsito. Lolitas, Gyaru, Ganguro, Decora, Visual Kei, Dolly kei, Fairy Kei Manba e Mori Girl eram algumas das subculturas que se juntavam às Kogal e aos Takenoki-zoku.

Yuniya Kawamura, autora do artigo “adolescentes japoneses como produtores de Street Fashion”, numa das suas entrevistas questionou a uma jovem se considerava Mamba, ao que ela responde: “Não, eu sou uma Celemba, Celemba é uma combinação de Mamba com a visão de uma celebridade. As Celembas, tendem a usar marcas caras, enquanto as Mambas não. As Mambas usam sombra branca ao redor dos olhos, enquanto as Celembas usam sombra prateada. Relativamente ao vestuário, as Celembas apresentam uma imagem mais madura e sofisticada e não dispensam um cachecol ou um xaile em torno do pescoço. “ Os estilos são muitos ecléticos para serem categorizados como uma única subcultura, e apenas pequenos detalhes podem diferenciar a designação e a transmissão dos significados pretendidos nas inúmeras subculturas existentes no Japão. Estas subculturas não foram cultivadas organicamente mas foram adaptando-se retrospetivamente numa atenção obsessiva aos detalhes da roupa, dos acessórios, da maquilhagem, da música e de todos os outros elementos estilísticos que possuem evidência na identidade visual e pessoal.

O radicalismo do jogo estético em Harajuku já não possui, contemporaneamente, a mesma intensidade, desde 1998 quando a rua deixou de ser exclusivamente pedonal aos Domingos. Porém, essa área continua a ser um local de comum espetáculo, sob vigilância pública intensa, onde todas as subculturas presentes são apreciadas e admiradas por turistas, designers, jornalistas e comerciantes.

Os adolescentes estabelecem várias ligações entre os vestuários tradicionalmente japoneses e a moda contemporânea Ocidental. Numa abordagem desconstrucionista, os jovens vestem-se segundo impulsos e elementos considerados Kawaii.

Kawaii é vulgarmente traduzido como “bonito” e “fofinho”. No entanto, este termo é muito mais que um adjetivo. Para os adolescentes japoneses, kawaii é um estado de espírito, ou até mesmo um estilo de vida. À exceção das jovens orientadas para o estilo gótico, representado por tons escuros e recursos sombrios, todas as adolescentes do sexo feminino vestem-se consoante o que é considerado Kawaii e ponderam mil e umas possibilidades da sua imagem se tornar cada vez mais intrínseca neste estilo de vida.

No japão a indústria de moda adolescente gira inteiramente em torno do que as jovens em Tóquio consideram ser kawaii. O que poderá vir ser designado como kawaii é um mistério para muitos, mas as jovens raparigas sabem intuitivamente se determinado objeto trata-se, ou não, de algo “bonito” e “fofinho”.

A subcultura GothLoli/GothicLolita/Gothic & Lolita, usualmente designado por Lolita, baseia-se numa estética extremamente feminina e “fofa” inspirada nas bonecas vitorianas com fitas, rendas, bordados, corpetes, saias de folhos, sapatos Mary Jane, cabelos em cachos e maquilhagem suave em tons pálidos e rosais. Surgiu no Japão em meados da década de 1990, e é considerada como um dos estilos implementares da designação kawaii. Embora não haja uma definição clara e concisa na subcultura/Lolita existem várias subdivisões com características particulares, nomeadamente, as Sweet Lolita (sweet, do inglês "doce", é o estilo dito "fofo", em tons pastéis, com estampados graciosos de doces, frutas, bolos, animais, bolinhas, xadrez, listras finas, sorvetes), Classical Lolita (caracteriza-se pelo estilo clássico, que remete às modas vitoriana e rococó, e pelas cores mais envelhecidas, tais como o bordeaux, esmeralda e creme e com xadrez e estampados florais não tão infantis e xadrez. Os seus acessórios são os mais elegantes e menos excêntricos da subcultura Lolita); e as Gothic Lolita (junção do estilo gótico com o estilo Lolita, singular pela abundância do preto e do branco nos vestidos tipicamente decorados com muitas rendas. Preto e vermelho escuro, preto e cinza, preto e azul escuro ou apenas preto, também são combinações bastante usuais nas Gothic Lolita. As saias vão até à altura dos joelhos e geralmente possuem anáguas e/ou armações por baixo para aumentar seu volume.) entre outros.

A sua estética doce e elegante em determinadas subdivisões invoca à época romântica, às princesas e rainhas da nobreza dos séculos XVIII e XIX. No entanto, existe um número significativo de homens, em Harajuku, que adotam o visual Lolita, predominantemente inerente nas subdivisões Gothic e Aristocrat Lolita.

Apesar de ser em grande parte desconhecido, alguns acreditam que o estilo GothLoli foi influenciado e criado pela imagem popular de certas bandas de Visual Kei (rock visual), que possuem ou possuíam entre seus integrantes indivíduos fãs do estilo Lolita. O Visual Kei é um subgénero do rock japonês formado por bandas com um visual extremamente elaborado e teatral. Mana-Sama, o líder da antiga banda Malice Mizer, é creditado como o pioneiro das Gothic Lolita. Mana-Sama é o mais famoso de uma série de celebridades do sexo masculino que usam o estilo Lolita no seu quotidiano. A sua marca Moi-même-Moitié vende produtos direcionados às subcategorias de Elegant Gothic Lolita (EGL) e Elegant Gothic Aristocrat (EGA), ambas centradas na androginia.

Apesar desta tendência de moda surgir no Japão, é facilmente considerada como uma mera imitação de subculturas ocidentais, uma vez que ambos os conceitos de “Gótico” e “Lolita” são derivados do Ocidente, e obviamente, reflete a influência de estilos de vestido no século XVIII e XIX na Europa. No entanto, se analisarmos mais pormenorizadamente esta subcultura estética, encontramos a existência de um hibridismo cultural nas suas características, nomeadamente na interação entre gótico e o clássico da moda ocidental e o conceito estético japonês do kawaii.

Jan Nederveen Pieterse argumenta que a globalização cultural não envolve apenas uma cultura dominante, mas também à infiltração de hábitos e características locais, procedendo ao hibridismo cultural. O sociólogo Roland Robertson rejeita a ideia que a globalização cultural é estritamente homogénea, sucedendo na globalização a práticas de interação, de interface e de apropriação cultural. Nesse sentido, o sociólogo afirma que, quando uma cultura se torna transnacional, o processo de localização é provavelmente envolvido.

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