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Consumo em uma visão do filme "Os delírios de Consumo de Rebecca"

Por:   •  26/9/2017  •  3.413 Palavras (14 Páginas)  •  366 Visualizações

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que podiam ter acesso aos produtos "brilhantes". A sua mãe priorizava a

compra de forma racional, considerando a utilidade e durabilidade do produto, não o

que estava na moda ou era ditado pelas propagandas.

Historicamente os bens de consumo e os serviços oferecidos pelo capitalismo

correspondiam a necessidades "reais", produtos mais simples eram produzidos, tais

como, aço, tijolos, roupas, sapatos, até que chegou um ponto em que o consumo e

produtores se multiplicaram e passaram a vincular seus produtos a marcas e

propagandas que tinham como objetivo fornecer informações funcionais dos produtos.

Em seguida ocorreu a necessidade de distinção dos produtos e de formas mais

eficientes de influenciar na venda, aumentando o número de argumentos para que

determinado produto ou marca fosse escolhido ao invés de outros, passando a ser um

tipo de sedução do consumidor.

A formação de Rebecca em meio a esse contexto em que o mercado visa agradá-

la e conquistá-la, em conjunto com o desejo de ser diferente, ou melhor, ser igual as

garotas que podiam parecer com princesas e ter acesso a roupas e mais bens de

consumo, contribuíram para o seu futuro comportamento.

A caminho de sua entrevista de emprego, Rebeca é atraída por uma echarpe

verde, momento em que ocorre um diálogo com a manequim que destaca as

características da echarpe verde e as qualidades que ela vai adquirir ao obter o produto,

tais como, valorizar os olhos, deixar o corte de cabelo parecer mais caro e que "ela [a

echarpe] se tornará parte da definição de sua psique".

A moda, representada pela echarpe neste momento, é encarada pela protagonista

ao mesmo tempo como um objeto desejável e respeitável no contexto cultural, quanto

como algo enganoso, ligado a um excesso. Ainda que, de forma racional, o aspecto que

deveria vir a se sobrepor fosse a sua situação financeira, o que acaba por prevalecer é o

que está ligado ao desejo e ao que, supostamente, leva a uma identificação como sujeito

no contexto cultural.

3 DESEJOS CRESCENTES E SEUS EFEITOS SOCIAIS

"Disseram que eu era uma cliente valiosa e agora ficam me

aterrorizando" (Rebecca Bloomwood)

No momento em que ela se depara com todas as suas dívidas nos cartões em um

total de mais 16 mil dólares e diante do seu estado de desemprego, podemos observar

um estado de desolação e desilusão em que o dinheiro mostra seu outro lado, no qual ao

tentar satisfazer um sentimento de vazio existente no momento da compra, diante da

promessa de que ao obter a posse de objetos, ou seja, bens de consumo, terá o desejo

satisfeito, passando a ser considerado não apenas um meio, mas um fim. Deste modo

ainda podemos observar o aspecto hedonista do dinheiro, através da possibilidade de

obtenção do prazer por meio da posse.

Podemos destacar no pensamento de Simmel:

Por causa da necessidade, presente na maior parte da vida, de ter diante dos

olhos como objetivo mais próximo o ganhar dinheiro, pode surgir a convicção de que

toda felicidade e satisfação definitiva da existência esteja ligada à posse de uma certa

soma.

Porém a promessa de satisfação apenas continua a ser sedutora enquanto o

desejo está insatisfeito, assim que um objeto é obtido, praticamente de forma imediata,

outro objeto toma o seu lugar de desejo.

As lojas, manequins, vendedores, vitrines totalizam um conjunto de aspectos

colocados para a "sedução" do cliente, para a ideia de satisfação de uma necessidade

que, muitas vezes, não consiste em uma real necessidade, mas apenas necessidades

criadas pela ,sociedade de consumo que leva a crer que o reconhecimento, o sentimento

de ser especial e pertencer a algo está ligado ao consumo. Este ponto mostra enfim seu

real lado diante da frustração e danos emocionais causados tanto pelo não real

sentimento de satisfação, quanto pelas cobranças as quais a personagem fica sujeita.

No contexto do filme, a sua melhor amiga, Suze Cleath-Stuart, tem o papel de

colocar de forma racional o uso do dinheiro. Ela é apresentada como umas das figuras

que, apesar de estar inserida nessa sociedade de massa, ainda possui a capacidade de

fazer uso da razão nas suas escolhas de compra, propõe a Rebeca um pensamento

racional ao adquirir produtos e busca ajudá-la a ser contratada em um novo emprego,

tendo em vista a situação da amiga.

Daí podemos atentar para outro ponto, a questão do trabalho para a obtenção de

recurso financeiro, no qual está embutido aspectos da existência humana em que a

atividade assalariada ocupa espaço na sobrevivência do indivíduo e também como meio

de inserção no

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