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A HISTÓRIA SOCIAL DO CRACK

Por:   •  26/12/2018  •  2.556 Palavras (11 Páginas)  •  33 Visualizações

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Quando Francisco Pereira Passos assume a prefeitura do Rio de Janeiro, manda derrubar centenas de antigos prédios, as ruas foram alargadas além de muitas outras medidas.

Se por um lado essas medidas se mostraram favorável à população, por outro, causaram um enorme transtorno, pois com a derrubada dos prédios, boa parte da população que lá residia, sem ter condição financeira de construir uma casa aos moldes de vida carioca, é obrigada a se instalar nos arredores da cidade, em péssimas condições de sobrevivência. E nesse contexto, começam a surgir aglomerados habitacionais: as favelas, que cada vez mais foram se intensificando, fenômeno geográfico que se tornou característica marcante das grandes capitais brasileiras, atualmente, incluindo a cidade de São Paulo.Sem quase nenhuma perspectiva de vida, essas pessoas geralmente desempregadas e embaladas pelo mundo do ócio, criam suas próprias leis baseadas naquilo que acreditam ser o melhor para si. Desprovidos de condição financeira, buscam nas práticas ilícitas um modo de sobreviver. Nesse contexto desfavorável, surgem as drogas que, rapidamente, passam a fazer parte da vida social e financeira desses indivíduos.

2.1- O CRACK E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Indubitavelmente, a fragmentação social tem gerado no ser humano a necessidade inerente de pertencer a um determinado grupo, para buscar um espaço de identificação. Nesse contexto, as drogas entram como um ritual que irão definir o indivíduo como membro do grupo que ele escolheu. Um ritual que o mesmo relaciona a experiência com a droga, como um salto transformador para a sua subjetividade.

O consumo, então, passa a ser caracterizado como uma forma de compensar todas as atividades sociais das quais este sujeito foi excluído. O uso de droga, no entanto, não se apresenta ao usuário apenas como uma possível solução a sua exclusão social, mas também, se apresenta como fator determinante para seu ingresso a um estado degradante da postura física e mental.

A vida, tal como a encontramos é árdua demais para nós; proporciona-nos muito sofrimento, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas. (FREUD, apud AQUINO, 1998. p.39)

Procurou o homem desde a mais remota Antiguidade, encontrar um remédio que tivesse a propriedade de aliviar suas dores, serenar suas paixões, trazer-lhe alegria, livrá-lo de angustias, do medo ou que lhe desse o privilégio de prevê o futuro, que lhe proporcionasse coragem, ânimo para enfrentar as tristezas e os desafios da vida. (Lauro Sollero, 1979, apud Gilda Pulcheri [et AL], 2002 p. 17).

A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central. A duração de seus efeitos produzidos no cérebro varia de acordo com o uso e a quantidade. Como o cloridrato de cocaína é solúvel pode ser aspirado pelo nariz, ou dissolvido em água para uso endovenoso. Misturado com bicarbonato de sódio dá origem ao crack.

O crack é uma das drogas mais nefastas existentes atualmente. Sua ação é extremamente rápida, intensa e provoca dependência precocemente. O crack é obtido do refugo da cocaína, que é misturada com bicarbonato e aquecida: desse modo é precipitado na forma de pedra ou cristais, formando assim, o crack. Para ser consumida, a pedra de crack pode ser usada em um recipiente tipo cachimbo. O vapor liberado é absorvido 100% pelos pulmões.

De acordo com Júlio Grappa, o problema das drogas, assim como muitos outros problemas da nossa sociedade, pode ser abordado de duas maneiras: do ponto de vista das causas e efeitos de seu uso e abuso no plano individual, como também do ponto de vista das causas e efeitos no plano social e coletivo. A temática das drogas, segundo ele, passou a ser polêmica pelo seu caráter transversal e conflitante, tanto no plano pessoal como no social, podendo gerar tensões na família, na sociedade como um todo e no próprio indivíduo.

O uso de drogas ilicitamente pode causar inúmeros transtornos na vida pessoal e social de um indivíduo. Para o autor, do ponto de vista da felicidade pessoal, as drogas tornaram-se um problema quando as formas com que busca diminui a dor e nega o sofrimento e as formas de procurar o prazer imediato o consumo lícito ou ilícito trazem prejuízos sociais, aos indivíduos que claramente superam os benefícios pessoais imediatos.

No que se refere à saúde mental, o autor enfatiza que o consumo de drogas converte-se em problema quando traz uma clara diminuição da auto-estima e das potencialidades de crescimento pessoal. Na dimensão social, o problema ocorre quando o consumo individual de drogas traz como consequência direta a degradação da convivência e dos valores éticos morais da sociedade. Do ponto de vista profissional, acrescenta o autor, o consumo de drogas é um problema quando seus efeitos negativos comprometem a produtividade do indivíduo.

De acordo com Pe. Léo, o uso de drogas é um dos maiores problemas do mundo moderno. Para ele, o mundo está sofrendo as terríveis consequências desse problema, diante do qual surgem muitos questionamentos e algumas pistas de solução. Nesse sentido, é preciso que não apenas a família do usuário de drogas se manifeste no sentido de compreendê-lo e ajudá-lo a vencer o problema, mas é preciso que a sociedade de modo geral crie condições que o envolva em condições de vivencias favoráveis, a fim de que ele possa vir a se inserir novamente na família e na sociedade, de modo digno.

É preciso que juntamente com a família e a sociedade, a saúde pública se manifeste com tratamentos adequados para o restabelecimento da saúde física e mental desse indivíduo.

O Brasil já avançou muito no tratamento de pessoa drogada, no entanto, é preciso avançar muito mais. É necessário que se faça políticas públicas que abranja tanto a família do usuário como a sociedade como um todo.

A droga infelizmente, ainda tem sido tratada como caso de polícia, no entanto, sabe-se que a questão da drogadição perpassa essa consciência do Estado. Não se tem levado em consideração o contexto social brasileiro e o drogado é tratado como delinquente e não como mais uma vítima do sistema brasileiro.

É preciso repensar esses conceitos. É preciso que se faça um trabalho social de valorização à vida só assim será possível inserir novamente o usuário de drogas no seio familiar e social.

O trabalho do assistente social é também muito importante para ajudar jovens infratores, aconselhando-o a família e os jovens, ajudando-os em um meio sócio educativo. Sabe-se que o serviço social trilhou vários caminhos durante

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