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Cem Anos de Solidão

Por:   •  20/9/2019  •  Resenha  •  1.216 Palavras (5 Páginas)  •  24 Visualizações

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A OBSCENA SENHORA D.: POR DEUS ESQUECIDA, POR HOMENS OPRIMIDA, PELAS LOUCAS E HISTÉRICAS MUITO BEM-VINDA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ

FACULDADE DE LETRAS

Por

Dayane de Pontes Silva

A CONSTRUÇÃO DA MATERNIDADE DE ÚRSULA IGUARÁN, PERSONAGEM DA OBRA CEM ANOS DE SOLIDÃO, DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

Trabalho apresentado ao professor Guilherme Belcastro, responsável pela disciplina de Literatura Hispano-Americana, código LEN367.

UFRJ

2016.II

O presente trabalho realizará uma análise acerca da construção da maternidade a partir da personagem Úrsula Iguarán, da obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

O livro Cem Anos de Solidão proporcionou a Gabriel García Márquez o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. A obra é considerada uma das mais importantes da literatura Latino-Americana, e consequentemente, foi muito estudada nos últimos anos.

As obras de García Márquez são bastante complexas. A relação do autor com a realidade é uma característica ímpar de seu trabalho. Sua obra não possui apenas uma natureza inventada que em geral atribuímos à ficção, pois o autor não vê a imaginação como o principal ingrediente de suas criações. Márquez cria seus enredos a partir da história de seu povo, de sua família e, principalmente, a partir da memória.

Em o Cheiro Da Goiaba (1985), o autor fala da relação entre realidade e imaginação em suas obras: “Acho que a imaginação é apenas um instrumento de elaboração da realidade. Mas a fonte de criação, afinal de contas, é sempre a realidade.”.[1]

Outro aspecto importante das obras do autor é a sua configuração político-social. Os livros de Gabriel García Márquez além de narrarem uma história ficcional, também contam com suas visões e críticas, mesclando o ficcional ao contexto político, social, econômico e cultural.

Desta maneira, uma análise que se atenha somente ao campo literário da obra não é suficiente para a construção das ideias propostas por García Márquez. Segundo Todorov, a estruturação do texto é pertinente em uma pesquisa acadêmica, porém os aspectos externos, como o contexto em que um livro é escrito, também são fundamentais para a compreensão da obra.

“É preciso ir além. Não apenas estudamos mal o sentido de um texto se nos atemos a uma abordagem interna estrita, enquanto as obras existem sempre dentro e em diálogo com um contexto; não apenas os meios não devem se tornar o fim, nem a técnica nos deve fazer esquecer o objetivo do exercício.”.[2]

Portanto, a construção das personagens femininas do autor estaria interpretando-as e moldando-as segundo os valores estéticos da época. Por bastante tempo as mulheres tiveram um espaço de pouca relevância e importância no cenário literário. Ao analisar a história da literatura no decorrer dos anos, veremos que, quando comparada aos homens, a mulher sempre possuiu pouca autonomia e ausência de voz própria.

No cenário latino-americano essa realidade não foi diferente, ainda menos espaço tiveram as mulheres em seus discursos. Contrapondo-se a isto, interessante se mostra a concepção do autor colombiano Gabriel García Márquez ao esboçar suas personagens femininas nos livros Cem anos de Solidão.

A personagem Amaranta é a única filha mulher de José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, casal que origina a descendência de Aurelianos, Josés Arcadios, Amarantas e Úrsulas na obra Cem anos de solidão. Amaranta nega a maternidade, o casamento e adere à castidade, sua imagem parece apagar-se na memória da literatura e seus atos dissolvem-se no esquecimento do leitor.

A maternidade, por muito tempo, foi imposta a partir de argumentos biológicos, religiosos e sociais. Segundo esses argumentos, a reprodução seria uma característica inevitável à mulher; uma dádiva concedida por Deus, sendo, portanto, inquestionável e irrecusável;

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