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O Pajubá

Por:   •  21/1/2019  •  Artigo  •  2.205 Palavras (9 Páginas)  •  71 Visualizações

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PAJUBÁ: o (des)conhecimento sobre o dialeto LGBTQ+ de acordo com os falantes de Garanhuns

DÉBORA MAYLANE SILVA DE SOBRAL[1]

MAYARA MARIA DE ALMEIDA ARRABALDES[2]

THAMIRYS KARINE SILVA DE SOUZA[3]

VALÉRIA CECILIA PEIXOTO[4]

RESUMO

ABSTRACT

INTRODUÇÃO

Desde o nascimento, o ser humano desenvolve domínios que os diferencia de outros seres vivos, o ato de falar, é um deles. A comunicação é uma das principais funções da língua, ela possibilita a vivência em sociedade, e é através dela que os homens podem interagir, questionar e realizar funções que os auxiliam durante toda a vida.

O domínio da linguagem abrange questões que vão além do significado de “fala”, falar sobre a língua, é falar de poder e do que ela representa. Cada falante traz consigo traços de sua identidade, diferenciando-o ou aproximando-o dos demais. De acordo com Tarallo (1986) a teoria Sociolinguística tem por objetivo analisar e sistematizar variantes linguísticas usadas por uma mesma comunidade, ou seja, identificar grupos de falantes que possuem características em comum.

Segundo Labov (1972) os processos de mudanças contemporâneas que ocorrem nas comunidades de fala são importantes para o estudo da Sociolinguística, porém, este modelo teórico-metodológico não é entendido como um grupo de pessoas que falam do mesmo modo, mas que compartilham traços linguísticos que distinguem seu grupo de outros, comunicam-se relativamente mais entre si e, principalmente, compartilham normas e atitudes diante do uso de uma especifica linguagem.

O modelo de análise a qual este trabalho se refere é o que se convencionou chamar de “teoria da variação linguística”, que tem por princípio a existência de uma ciência da linguagem social, que assume a existência de variantes no meio social e que procura analisar a probabilidade do uso dessas variantes.

Partindo desse pressuposto, reconhecendo a importância deste estudo e da relação entre língua e sociedade, foi buscado compreender o dialeto Pajubá, linguagem utilizada em rituais sagrados do Candomblé e atualmente também utilizada pelos falantes da comunidade LGBTQ+.

A pesquisa foi realizada na cidade de Garanhuns - Pernambuco, considerando um tema atual e que vem ganhando destaque dentro e fora do meio, mas, que apesar do uso, ainda causa um certo (des)conhecimento do dialeto em si. Pretende-se através da coleta de dados e considerando fatores como idade, sexo e classe social, afirmar ou não, a existência da correlação entre o dialeto Pajubá no uso da comunidade LGBTQ+.

JUSTIFICATIVA

A cultura LGBTQ+, atualmente, está espalhada para além dos guetos e das boates gays, isso porque, a luta pelo combate do preconceito, apesar de parecer distante, vem surtindo efeitos positivos. No caso do Pajubá, não é diferente, e pode-se encontrar pessoas heterossexuais que compreendem e que adotaram a comunicação no dia a dia.

Com base nessa perspectiva, o presente artigo tem por objetivo explanar a utilização do dialeto Pajubá utilizado pela comunidade LGBTQ+ da cidade de Garanhuns – Pernambuco, almejando desmitificar a problematização, trazendo dados dessa utilização pela comunidade e por pessoas que não fazem parte, atrelando a “Teoria Variacionista” de Labov (1972) e refletindo sobre a relação entre língua e sociedade.

Considerando ser um tema relevante para o estudo da Sociolinguística, tratando-se de uma variação linguística contemporânea, porém ainda pouco pesquisada. Com isso, será buscado compreender como se dá utilização desse dialeto e se ainda há um (des)conhecimento do assunto.

OBJETIVO

Analisar a influência do dialeto Pajubá na comunicação dos indivíduos inseridos na comunidade LGBTQ+ do município de Garanhuns, inseridos em sua comunidade de fala e em seu grupo com linguagem própria, e assim, comprovar que mesmo sendo utilizada, essa linguagem ainda é desconhecida, tanto em seu aspecto físico como histórico e cultural.

Verificar também, seus registros históricos, identificando os principais influenciadores deste dialeto e o que tornou-o a linguagem de códigos do grupo LBGTQ+; pesquisar e observar a linguagem Pajubá no meio social como linguagem falada, comparando aspectos como conhecer a linguagem Pajubá de forma geral e conhecer palavras que fazem parte deste dialeto.

DESENVOLVIMENTO

Variação Linguística: O Pajubá sob a visão da Teoria Variacionista

Temos como variação linguística as variações que ocorrem dentro de uma comunidade de fala. Variações essas que recebem influências sociais, culturais e socioeconômicas. Considerando a variação linguística sob a teoria da sociolinguística, comunidade de fala não é um grupo de pessoas que falam exatamente igual, mas que compartilham de traços linguísticos que diferenciam os determinados grupos falantes daquela variante. (LABOV, 1972; GUY, 2000). A partir das primeiras reflexões da “Teoria Variacionista” de William Labov, a Sociolinguística institui um estudo científico que visa a relação entre língua e sociedade, para mostrar que esses fenômenos linguísticos recebem a influência dos aspectos sociais, culturais, econômicos e identitários.

Partindo deste conceito, foi escolhido uma comunidade de fala específica, onde será analisado os processos de variação possíveis dentro de um grupo, as marcas de pronuncia, e a comunicação dos indivíduos desta comunidade, que utilizam a variante para comunicar-se entre si e compartilharem as possíveis normas que surgem com a utilização dessa linguagem.

A comunidade de fala apresentada diante da pesquisa, foi a LGBTQ+, trazendo o seu dialeto chamado Pajubá, que apresenta terminologias da linguagem oriunda do Iorubá, religião africana do Candomblé, dando origem ao que é atualmente utilizado pela comunidade. O Pajubá é tido como o dialeto utilizado para criar jargões que também podem ser considerados como gírias ou códigos utilizados como um meio de comunicação própria. Esta comunicação passa a ser uma forma linguística em variação, retomando diretamente a teoria da Sociolinguística Variacionista. Sobre isso Tarallo (1986) afirma que as variantes linguísticas são as muitas formas de se pronunciar a mesma palavra, que esteja em um mesmo contexto e possua o mesmo valor. Conforme Labov (1978), dois enunciados que se referem ao mesmo estado de coisas com o mesmo valor de verdade constituem-se como variantes de uma mesma variável (regra variável).

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